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Energias Renováveis: o imenso potencial Brasileiro

Arnaldo Feitosa

Data: 27/04/2016

Por: Redação TN / Procel Info

O imenso potencial brasileiro para energias renováveis complementares pode ser constatado através dos excelentes níveis de irradiação solar, no caso da energia elétrica fotovoltaica – centralizada ou distribuída -, nas características predominantes dos nossos ventos – constantes e unidirecionais – ao quais proporcionam elevados fatores de produtividade, superiores as médias globais, além da geração de energia associada a biomassa de cana de açúcar, reflorestamentos e resíduos de madeira, bem como dos vários empreendimentos de geração de energia hidráulica de pequeno porte – pequenas centrais hidrelétricas -, distribuídos pelo território brasileiro.


Acrescenta-se todo esse potencial descrito acima, a complementariedade nas mais diversas formas de sazonalidade, entre as múltiplas fontes de geração de energia elétrica e, desde que respeitado os principais básicos de planejamento e as boas práticas de gestão, tem-se um cenário próspero para o sucesso do desenvolvimento de uma matriz elétrica, fundamentado nas fontes de geração de energia renovável, sem esquecer é claro das chamadas fontes de geração convencional, necessária a segurança energética.


Diante deste cenário, torna-se inevitável o progresso das fontes renováveis de energia, aumentando assim a sua participação ao longo do tempo na matriz elétrica, além de ser desejável, pelos seus maiores incentivadores, em função dos inúmeros benefícios auferidos, a favor do desenvolvimento socioeconômico sustentável, dentre os quais se destacam a redução da emissão de gases do efeito estufa, bem como a possibilidade de impedir a remoção de povoados e redução dos possíveis impactos no uso do solo.


As fontes convencionais de geração de energia, na sua média geral, ainda apresentam menores custos que a maioria dos tipos de energias renováveis. Além disso, acrescenta-se o fato do aumento da complexidade na operação do sistema elétrico brasileiro e as mudanças necessárias no modelo de negócios vigente, incluindo o marco regulatório. Em síntese, existem alguns obstáculos a serem superados para que ocorra, com harmonia, uma relevante inserção das fontes renováveis de energia na matriz elétrica brasileira.


Cabe salientar que as fontes convencionais de energia apresentam um ótimo nível competitivo, em função do conhecimento, capacitação e tecnologia desenvolvida ao longo do tempo. Grandes empreendimentos de geração de energia hidráulica e térmica convencional foram realizados, permitindo assim uma relevante evolução tecnológica e econômica na implantação dos mesmos.


Entretanto, a valorização nos tempos atuais, da sustentabilidade com viés socioeconômico, alinhada as questões ambientais, somado a segurança energética em prol da independência de cada país, aliando ainda as novas tecnologias visando o desenvolvimento e inserção das fontes renováveis de energia na matriz elétrica, visualiza-se um cenário propício à quebra do paradigma da economia baseada no carbono e combustíveis fósseis.


Uma característica, intrínseca e comum nas fontes renováveis de energia, merece especial atenção. Todas, sem exceção, não dispõem do seu precioso recurso energético, em tempo integral, ocorrendo uma oscilação na potência e energia fornecida. A falta de garantia, quanto ao fornecimento de energia para o sistema elétrico, cria a necessidade de planejamento para o suprimento através de outra fonte de geração.


Isto exposto, considera-se as fontes eólica e solar, como de alta variabilidade, visto que, de forma brusca, pode ocorrer uma falha deste tipo de fornecimento. Quanto à energia renovável de baixa variabilidade, cuja disponibilidade do recurso energético é mais constante, encontra-se a geração hidráulica de pequeno porte (chamada de PCH) e biomassa. Outra característica da energia renovável consiste no fato de que ela não pode se despachada, pois somente entra em operação quando há disponibilidade do recurso energético.


Entretanto, o baixo nível de emissão de gás do efeito estufa e a menor geração de resíduos, tornam as fontes renováveis de energia em projetos de baixo impacto ambiental e também colaboram na diminuição da dependência externa de um país em relação a necessidade de combustível.


Os impactos causados, no sistema elétrico, pelas fontes de geração de energia renovável, especificamente as consideradas de alta variabilidade – eólica e solar – podem ser reduzidos através do armazenamento de energia, sendo que a tecnologia mais conhecida e econômica consiste na construção de reservatórios de hidrelétricas. Cria-se assim uma relevante dependência do desenvolvimento da fonte eólica e solar com as já conhecidas, principalmente das ONG ambientais, hidrelétricas com reservatórios. Existe outra tecnologia, de menor escala para utilização em pequeno espaço de tempo, chamada de usina hidrelétrica reversível. Além disso, existe outro tipo de armazenamento, em fase preliminar de testes, obtido através de baterias, cujo custo, inevitavelmente, será maior do que as outras duas hipóteses citadas.


Em relação ao sistema distribuído de energia, cujo recurso energético se encontra nos conjuntos residenciais, edifícios comerciais, fábricas e indústrias, o armazenamento de energia constitui em fator de quebra de paradigma no setor elétrico. Neste caso, a energia solar fotovoltaica apresenta um relevante potencial para se tornar viável como uma opção para geração distribuída, reduzindo os respectivos custos de transmissão de energia. Acredita-se que uma intensa reestruturação do setor elétrico no mundo ocorrerá em função do aparecimento de novas tecnologias, que consequentemente reduzirão os custos de implantação.


Políticas regulatórias têm sido homologadas, pelo mundo afora, visando impulsionar os empreendimentos de geração de energia renovável, incentivando assim o seu crescimento e a inserção da matriz elétrica, principalmente, neste momento, em que temas como gestão de mudanças climáticas, redução da dependência de insumos energéticos, segurança energética e crescimento socioeconômico sustentável, adquiriram grande importância global.


O Brasil, com 37% da capacidade instalada da América Latina, destaca-se como líder na geração de energia renovável.


O potencial hidráulico brasileiro é um dos maiores do mundo, chegando a 260 GW, dos quais somente 35% está sendo aproveitado, principalmente na região Sudeste. A geração eólica também se mostra promissora, com um potencial total de 143 GW para torres a uma altura de 50 metros, principalmente nas regiões Nordeste e Sul do Brasil. Se a medição ocorrer a alturas maiores, esse potencial pode chegar a 500 MW, considerando os últimos avanços tecnológicos e a qualidade dos ventos brasileiros [FVG Energia].


O tão conhecimento potencial hidráulico brasileiro é considerado um dos maiores do mundo – cerca de 260 GW – sendo que, até o presente momento, apenas cerca de um terço foi desenvolvido. Embora já se saiba que o país terá enormes dificuldades na viabilização dos empreendimentos hidrelétricos, principalmente na região amazônica, não se pode, simplesmente, descartar os números apresentados. O Brasil se encontra localizado no chamado “cinturão solar do planeta”, onde a pior irradiação apresenta índices superiores às médias mundiais. O potencial atual de geração de energia eólica, no Brasil, já apresenta números bem interessantes – 143 GW com torres de 50 metros de altura –, lembrando que uma previsão para maiores alturas projetam valores da ordem de 500 GW.



Quando o assunto é a geração de energia procedente da biomassa, notadamente através do bagaço da cana-de-açúcar, cabe salientar que o seu potencial é dependente da dinâmica do mercado do açúcar e etanol, a chamada indústria sucroalcooleira, a qual se constitui em fator primordial para o desenvolvimento deste tipo de fonte. O aumento da produção do etanol ocasiona o acréscimo da geração de eletricidade, a partir deste tipo de fonte de energia, estando concentrada a sua produção na região Sudeste e Nordeste.


No tocante ao potencial de geração de energia solar, conforme já relatado, o território nacional, em sua totalidade, apresenta índices de irradiação solar superiores a média mundial. Além disso, o Brasil possui uma série de pequenas centrais hidrelétricas, porém, igualmente as usinas de médio e grande porte, para a viabilização destes empreendimentos precisam ser superados inúmeros obstáculos relativos as questões ambientais.


Outro aspecto fundamental para o desenvolvimento das fontes de geração de energia renovável constitui no desenvolvimento de sua cadeia de produção, sendo que, atualmente, este segmento apresenta o seguinte cenário.


Em relação à indústria eólica, existem no Brasil dois grandes polos produtivos para componentes na região Nordeste e Sul/Sudeste, sendo que boa parte dos componentes utilizados são produzidos no país. A indústria de componentes de termoelétricas a biomassa é quase 100% nacional. A indústria nacional possui fabricantes qualificados a atender, integralmente, todo o mercado interno de PCH. Apenas em relação à energia solar, existe um debate intenso sobre se o Brasil deveria ou não desenvolver a indústria nacional de painéis fotovoltaicos, visto que o Brasil possui uma das maiores reservas mundiais de silício, ou se deveria focar unicamente na montagem e instalação dos módulos. No entanto a produção deste tipo de célula é um processo intensivo em tecnologia, podendo assim não ter vantagem comparativa ou condições de realizar essa etapa [FVG Energia].


Apesar do cenário promissor, têm-se pela frente algumas relevantes pendências que precisam ser equacionadas, da melhor forma possível, para que essa promessa se torne realidade. A primeira consiste no planejamento setorial, cujo cenário é de baixa assertividade em relação ao cumprimento dos prazos de viabilização e execução dos projetos de geração e transmissão de energia. Na sequência, destaca-se o possível esgotamento do modelo de financiamento via BNDES. E por último, o consequente aumento dos custos de geração de energia elétrica, em função das dificuldades de se obter um financiamento com condições e taxas atrativas.


Finalmente, nesta mensagem final se vislumbra, independente do cenário atual macroeconômico e político, a continuidade da viabilização de novos projetos de geração de energia elétrica – renovável ou convencional – em maior ou menor velocidade, seja pelas virtudes já constatadas, através do potencial existente no país, ou pelas deficiências que acompanham o setor elétrico brasileiro, ao longo do tempo, aliado ao longo prazo de maturação ou viabilização deste tipo de empreendimento.


*Arnaldo Feitosa é doutorando com Mestrado Internacional em Gestão Empresarial ISCTE Business School. Graduado em Engenharia Civil; 20 anos de experiência em Gestão Empresarial, Planejamento Estratégico e Mercados de Energia.

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