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Estudo analisa colisão de aves e morcegos em aerogeradores

Rodrigo Magalhães

Data: 03/06/2016

Por: Redação TN 

O desenvolvimento de projetos de energia eólica, apesar de renovável, limpa e disponível em muitos lugares, é susceptível de gerar efeitos ambientais negativos que devem ser minimizados ou eliminados. A avaliação técnica destes potenciais impactos sobre a fauna exige um conhecimento detalhado do comportamento das espécies e suas estratégias de vida, aliados a um esforço de campo em pesquisa, coleta e sistematização de dados. 

Fruto de seu pioneirismo no licenciamento e pesquisa associadas às Energias Renováveis a Maia Meio Ambiente em parceria com universidades vem trazer a público os primeiros artigos científicos relacionados a interação entre Parques Eólicos e a fauna nativa. Assim foi publicado em 2015, artigo na revista Studies on Neotropical Fauna and Environment (http://www.tandfonline.com/loi/nnfe20) onde os primeiros resultados de monitoramento de Operação de Parques Eólicos no Brasil são apresentados a comunidade cientifica, empreendedores e público em geral.


A empresa Maia Meio Ambiente trabalha há 13 anos com o monitoramento de impactos sobre a fauna decorrente da instalação de Parques Eólicos realizando os estudos necessários para o licenciamento destes empreendimentos. São feitos estudos prévios a obra, o acompanhamento da instalação dos Parques Eólicos e o monitoramento da operação do empreendimento. Nestes estudos são gerados os dados e informações que a empresa detentora do Parque Eólico precisa apresentar aos órgãos licenciadores estaduais (ou federais) para obtenção das Licenças de Implantação e Operação do empreendimento.


A partir do acompanhamento da operação de Parques nos Estados Unidos e na Europa era sabido que ocorrem colisões de aves e morcegos em aerogeradores e que isso pode ter impacto ou não sobre a população destas espécies que cumprem funções relevantes na cadeia alimentar. Como exemplo, podemos citar a predação de insetos por morcegos que auxiliam assim no controle populacional destes prestando um serviço ambiental relevante para a espécie humana.


Visando averiguar esta questão em nosso país foi realizada, de forma pioneira para o Brasil, a avaliação das colisões de aves e morcegos em aerogeradores em Parques Eólicos no Rio Grande do Sul. Aqui apresentamos resultados decorrentes de três anos de coleta de dados sobre as espécies de morcegos mortas por aerogeradores nos Parques Eólicos de Osório, um empreendimento de grande porte localizado no sul do Brasil, e comparamos a mortalidade com a composição da fauna local de morcegos.


Seguindo protocolos internacionais de pesquisa foram realizadas buscas por carcaças de aves e morcegos ao redor das turbinas eólicas entre os anos de 2006 e 2009. Também foi realizado um inventário de morcegos através de amostragens com redes de neblina e buscas por colônias de 2004 (inicio do licenciamento do empreendimento) até 2010, no final do monitoramento de operação.


No total, foram encontradas 336 carcaças, de nove espécies diferentes de morcegos, destacando-se a espécie Tadarida brasiliensis (morcego-das-casas) com a maioria dos registros de fatalidade.


Através das amostragens com redes de neblina, nossos profissionais registraram 13 espécies de morcegos na região, mas apenas seis destas espécies tiveram registro de mortes por colisão com turbinas eólicas.


Nossos resultados são semelhantes aos padrões de mortalidade observados no hemisfério norte em termos de: (1) distribuição desigual do número de fatalidades entre espécies; (2) dominância de espécies migratórias, incluindo morcegos que se abrigam em folhagem; e (3) discrepância entre presença e abundância das espécies na área do parque eólico e na amostra de fatalidades.


Mesmo apresentando, como toda tecnologia energética, algumas características que podem acarretar impactos ambientais, neste caso sobre a fauna, o desenvolvimento de tais empreendimentos de modo a dar continuidade à evolução tecnológica da energia eólica no país deve ser encorajado e algumas destas características podem ser significativamente minimizadas e até mesmo eliminadas com planejamento adequado e inovações tecnológicas.


Artigo:


Species composition and mortality of bats at the Osório Wind Farm, southern Brazil
Marília A. S. Barros*, Rodrigo Gastal de Magalhães & Ana Maria Rui – Maia Meio Ambiente e Impacto Ambiental LTDA, Osório, Brazil; Departamento de Ecologia, Zoologia e Genética, Instituto de Biologia, Universidade Federal de Pelotas, Brazil.


*Rodrigo Magalhães é Biólogo e diretor Técnico da empresa Maia Meio Ambiente e Impacto Ambiental.

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