Entrevistas

 

Edson Tomaz

Pirólise a tambor rotativo: entenda melhor a tecnologia

Data: 05/02/2015

Por: Redação TN / Juliana Ewers, Inovação Unicamp

A pirólise apresenta um grande potencial no tratamento de resíduos. Trata-se de um processo térmico, de impacto ambiental bem menor do que a incineração. Confira a entrevista com o professor Edson Tomaz, da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, sobre a tecnologia para de Pirólise a tambor rotativo.


- Como o senhor analisa o desenvolvimento dessa tecnologia no Brasil? E quais os benefícios da mesma? 


Edson Tomaz - As alternativas de tratamento ou disposição final de resíduos orgânicos mais empregadas no Brasil são, em geral, aterros para resíduos domiciliares e industriais não perigosos, incineração para resíduos orgânicos perigosos e coincineração em fornos de cimento para resíduos orgânicos com alto poder calorífico. Estas tecnologias apresentam vantagens e desvantagens. Os aterros ocupam grandes espaços, problemas de emissões fugitivas e baixa taxa de recuperação energética. A incineração apresenta problemas de emissões de particulados contendo metais, óxidos de nitrogênio e dioxinas e furanos. Além disso, apresenta uma grande vulnerabilidade quanto às emissões, pois depende fortemente dos tipos e quantidades de resíduos processados, cujo controle pode não ser muito rigoroso. A incineração não permite o aproveitamento energético para prevenir a formação das dioxinas. O tratamento em fornos de cimento é a única com aproveitamento energético máximo dos resíduos mas é restrita a resíduos com alto poder calorífico. A pirólise, por sua vez, apresenta um grande potencial no tratamento de resíduos. Trata-se de um processo térmico, mas de impacto ambiental bem menor do que a incineração, pois as formações de dioxinas, furanos e óxidos de nitrogênio não são favorecidas. Além disso, como o processo se dá a temperaturas menores do que na incineração, a formação de material particulado contendo metais é desfavorecida.


- A energia que resulta da pirólise pode ser aplicada em que tipo de atividade?


Edson Tomaz - Associada a essas vantagens citadas, há a possibilidade de recuperação energética dos resíduos com a queima subsequente dos gases gerados na pirólise. A energia poderá ser utilizada na sua forma térmica, por meio de geração de vapor, ou elétrica, por meio de um gerador estacionário. Deve-se complementar ainda, que o resíduo sólido remanescente para alguns resíduos processados apresenta potencial de uso agrícola como fonte de nutrientes, que pode ser uma pesquisa adicional. Alguns resíduos poderão ser ainda transformados em produtos de uso industrial, tais como: o carvão ativado, adsorvente de alta área superficial empregado na descontaminação de água e gases, que é outra linha de pesquisa que pode ser desenvolvida.


- Como foi pensando esse convênio de P&D e quais as áreas que serão exploradas nesse primeiro momento?


Edson Tomaz - Nesta primeira etapa do projeto o objetivo é avaliar as emissões e os resíduos gerados para o tratamento de vários tipos de resíduos, com intuito de avaliar e confirmar as vantagens desta tecnologia mencionadas anteriormente, ou mesmo, avaliar em quais condições estas emissões são as menores possíveis. Na sequência ou em paralelo, pesquisa sobre o valor agronômico dos sólidos gerados poderão ser desenvolvidas, bem como a obtenção de carvão ativado de resíduos orgânicos por meio de pirólise lenta de alguns resíduos.


Há ainda uma questão importante em relação ao manuseio de resíduos sólidos dentro da universidade. Por outro lado, sabemos que este se dará em escala laboratorial.


- Gostaríamos que o senhor nos explicasse exatamente o que seria essa escala laboratorial. Há riscos de contaminação?


Edson Tomaz - Trata-se de uma unidade de pequeno porte, como não poderia deixar de ser, numa escala que permita avaliar a eficiência e as vantagens deste processo e transpor estes resultados para uma escala industrial. As quantidades serão pequenas, especialmente quando comparadas com as quantidades de resíduos gerados e manuseados hoje na universidade. Além disso, todos os cuidados serão adotados para prevenir qualquer tipo de contaminação. Os riscos de contaminação desta atividade não são diferentes dos riscos de contaminação das demais atividade de pesquisa realizadas na Unicamp.


Quantidades pequenas de resíduos ou qualquer outro produto químico podem provocar contaminações. O fator mais importante, neste caso, são os cuidados que deverão adotados no manuseio destes resíduos, para prevenir a contaminação de solo e águas subterrâneas, não diferente de outras atividades de pesquisa. As emissões atmosféricas são baixas devido ao pequeno porte da unidade de pirólise e serão monitoradas.


Hoje, a Unicamp incinera os seus resíduos orgânicos gerados nos laboratórios e desativa e encaminha para aterro sanitário os seus resíduos da área da saúde. A pirólise pode ser uma alternativa de menor impacto ambiental e poderá ser uma alternativa para o futuro tratamento dos resíduos da Universidade. Os resultados das pesquisas responderão estas questões.

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