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Leiloando o vento

Data: 23/08/2016 10:45

Por Redação TN/ Nansen

Uma fonte de energia inesgotável. Ideia sedutora em tempos de recursos naturais escassos. É essa a realidade da energia eólica, cuja implantação é especialmente viável no Brasil, onde as usinas do segmento produzem energia em sua capacidade máxima, por até 60% de seu tempo. Considerando que a fonte é intermitente e que em países como Estados Unidos, Turquia e Austrália esse índice fica próximo de 30%, é possível questionar por que não se investe mais em energia eólica no Brasil. “Os investimentos são altos e o retorno é de longo prazo. A comercialização da energia eólica é realizada, principalmente por meio de leilões, cujo retorno acontece, em média, após 30 anos, período de autorização das usinas. Mesmo assim, pode-se considerar uma fonte de energia barata, a mais competitiva no Brasil atualmente”, pontua Vinícius Vilhena, gerente de projeto da Omega Energia, de São Paulo (SP), especializada em geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis.

No Brasil, existem três tipos de leilões de energia, realizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), instituição sem fins lucrativos e regulada pela ANEEL, responsável por viabilizar e gerenciar a comercialização de energia elétrica no Brasil. Os leilões realizados são os de energias existente, nova e de reserva. Nos leilões de energia existente, proveniente de empreendimentos que já estão em operação, as distribuidoras são atendidas no ano subsequente ao de contratação. Os de energia nova, por sua vez, existem para suprir uma nova demanda, prevista pelas distribuidoras no médio e longo prazos, a partir de uma expectativa de crescimento populacional ou industrial. Neste caso, o volume contratado pode ser entregue em três ou cinco anos, e é gerado em novas usinas hidrelétricas ou parques eólicos.

Já os leilões de energia de reserva são um meio de gestão de risco, e visam garantir uma margem de segurança no fornecimento de energia. O intuito é que o sistema tenha uma contratação de energia excedente, por meio de encargos pagos pelos consumidores na conta de luz, para diminuir os riscos de escassez energética. Originalmente, os leilões de reserva consideravam unicamente usinas térmicas, por sua capacidade de gerar energia em qualquer momento, não dependendo de fatores externos como chuva, vento ou radiação solar. Hoje, os leilões de reserva no Brasil são majoritariamente de energia eólica e solar.

Desafios do setor

“O alto fator de capacidade da energia eólica no país já está comprovada, e, recorrentemente, os parques têm gerado mais do que o esperado”, pontua Vinícius Vilhena. Entretanto, embora competitiva e em processo de barateamento, há desafios importantes na sua geração. “O setor foi tomado, inicialmente, por diversos investidores apostando numa fonte de energia ainda desconhecida, alguns com pouca experiência na implantação de projetos no Brasil. Assim, hoje há muitas obras embargadas ou entrando em operação com muito atraso em relação ao plano inicial, por diferentes motivos, desde restrições ambientais até falência de fornecedores”, aponta Vilhena. O papel das empresas do setor, diante deste cenário, é manter e garantir investimentos com o mínimo de risco possível, além de ter em mente que é necessário um alto capital e que o retorno é de longo prazo. “O governo entra na equação ao criar um arcabouço regulatório que permita previsibilidade e estabilidade, afim de atrair investidores”, destaca o especialista.





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