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Pesquisadores realizam censo da 1ª reserva de desenvolvimento sustentável do país

Data: 28/05/2019 15:45

Por Redação/ Assessoria


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Pesquisadores realizam censo da 1ª reserva de desenvolvimento sustentável do país
 
Dados servem de base para avaliação de ações realizadas na reserva. Último levantamento aconteceu em 2011

Informações socioeconômicas foram levantadas (Foto: Bernardo Oliveira)
A redução da mortalidade infantil nas Reservas Mamirauá e Amanã em cerca 67% é uma das grandes conquistas dos últimos 20 anos na região do Médio Solimões, na Amazônia Central. A constatação deste e de outros índices positivos gerados por ações multidisciplinares desenvolvidas na região foi possível graças aos levantamentos de dados demográficos e socioeconômicos realizados periodicamente desde a chegada dos primeiros pesquisadores do Projeto Mamirauá, que deu origem ao Instituto Mamirauá.

Nos últimos meses, foram realizados o censo demográfico e o levantamento socioeconômico de 2019 da Reserva Mamirauá. Na Reserva Amanã, o levantamento aconteceu em 2018 para a elaboração do Plano de Gestão da reserva.

Em uma expedição subindo o Rio Solimões, a equipe fez a pesquisa na área de mais de um milhão de hectares da primeira unidade de conservação do modelo de desenvolvimento sustentável fundada no país.

A expedição aconteceu em três etapas dividas pelas regiões dos municípios de Uarini, Fonte Boa e Maraã. Com duração de cerca de 20 dias cada, as viagens foram iniciadas em fevereiro e finalizadas em maio. 

“É possível ter um panorama da região e, com as informações socioeconômicas, investigar se as ações que estão sendo realizadas naquela região estão dando resultados. O caso da mortalidade infantil é emblemático porque quando se iniciaram os primeiros levantamentos do Instituto Mamirauá e os posteriores, se teve a noção de como se alterou alguma situação dentro daquele território”, explica Ana Claudeise do Nascimento, líder do Grupo de Pesquisa em Territorialidades e Governança Socioambiental e coordenadora do censo. 

Claudeise explica que o grupo de pesquisa concluiu, após estudos, que a periodicidade ideal para a realização desse levantamento é de cinco em cinco anos. Não é feita sempre assim, entretanto, por falta de recursos. “Só dá para confirmar quando temos a garantia [dos recursos], mas metodologicamente este é o período aconselhado porque conseguimos ter maior precisão na avaliação das ações”, diz. O último censo da Reserva Mamirauá foi realizado em 2011.

Posteriormente, os dados são utilizados pelos diferentes programas do Instituto Mamirauá na elaboração de projetos como a implementação de tecnologias sociais, desenvolvimento de ações de saneamento básico, conscientização ambiental e manejo adequado de recursos naturais. “É possível comparar, por exemplo, como as comunidades onde é realizado algum tipo de manejo se diferem economicamente das localidades onde não é”, afirma.
 

Retorno às comunidades

Após a computação das informações coletadas, os resultados serão divulgados e levados às lideranças comunitárias da Reserva Mamirauá. De acordo com a pesquisadora, o retorno é importante para que as comunidades possam também reivindicar e avaliar ações usando embasamento do censo, garantindo assim, maior autonomia e organização às populações ribeirinhas. “É importante para conhecer o local e pensar estrategicamente em ações direcionadas, que só são possíveis com esses dados. É essencial na construção de políticas públicas. ”

Além da parceria com a Associação de Moradores e Usuários da Reserva Mamirauá Antonio Martins, a equipe também contou com a boa receptividade dos moradores da reserva, que conhecem o trabalho realizado pelo Instituto Mamirauá. “Eles nos veem como parceiros”, conclui. 


Censo do Instituto Mamirauá

O Instituto Mamirauá não utiliza os dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) porque, diz Claudeise, “é preciso responder a questões mais específicas e locais dessas regiões, que tem muitas particularidades. Como o fato de, por exemplo, a Reserva Mamirauá ser uma área de várzea. Uma pergunta que se faz na várzea não é possível fazer em outras partes do Brasil”. A várzea é um ecossistema da Amazônia que alaga grande parte das comunidades em épocas de cheia. Os meios de sustento das populações ribeirinhas estão diretamente ligados a essas variações. 

Para o futuro, a equipe buscará expandir replicar a metodologia e aplicar em outras unidades de conservação para que os dados recolhidos possam abranger resultados mais amplos sobre a região da Amazônia Central. 

A equipe de coletores do censo foi composta por profissionais do Instituto Mamirauá e alunos da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). O projeto é liderado pelo instituto com o apoio do Governo do Estado do Amazonas, da Associação de Moradores e Usuários da Reserva Mamirauá Antonio Martins e de outras organizações que atuam no estado.

Os resultados do levantamento devem ser divulgados nos próximos meses.





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