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Revista Brasileira de Tecnologia e Negócios de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Indústria do Plástico

Impressora 3D reutilizará papel descartado para fabricar peças didáticas

Data: 08/08/2018 14:49

Na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, pesquisadores projetaram um dispositivo que utiliza papel descartado como matéria prima para impressões 3D. O desenho do equipamento, que já possui patente, é uma iniciativa da professora Zilda de Castro Silveira e de seus orientandos nos cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia de Materiais e Manufatura. Para ser fabricado, porém, necessita de mais alunos engajados na continuação do trabalho.

As impressoras 3D são conhecidas por, diferentemente das impressoras comuns, fabricarem um objeto físico tridimensional. Geralmente, o material que será impresso é feito a partir de um modelo digital informado em algum software acoplado. A partir daí, o objeto será produzido em camadas, feitas uma a uma, até que se forme por completo. As impressoras 3D produzidas no mercado e de custo mais elevado comumente utilizam um injetor de matéria quente, como um filamento plástico ou emitem luz sobre um material moldável. As aplicações mais comuns são fusão a laser, fundição a vácuo e moldagem por injeção. O dispositivo criado pelos pesquisadores da USP é baseado na tecnologia LOM, Laminated Object Manufacturing (Manufatura de Objetos Laminados, em português), e tem como principal diferencial a matéria-prima para produzir as impressões: papel sulfite que não pôde ser utilizado e uma mistura de poliálcool vinílico, totalmente atóxico, como adesivo entre as camadas.



Aplicações

O objetivo é imprimir peças que possam ser utilizadas como material didático em salas de aula de ensino fundamental e médio, como explica Joaquim Manoel Justino Netto, orientando de TCC da professora Zilda e mestre em Engenharia Mecânica: “Sendo de baixo custo, a impressora poderia ser comprada em escolas públicas de ensino fundamental e médio e ser usada para imprimir modelos arquitetônicos, modelos de terrenos, curva de nível. Pensamos nesse segmento porque há o próprio material gerado como resíduo de escritório e da escola (folhas sulfites) e ele seria reaproveitado para gerar esse tipo de modelo, sendo utilizado nas aulas de ciências, geografia, história.”

Segundo o pesquisador, o que falta na impressora é fabricar os componentes que depositarão o adesivo atóxico nas folhas, ajustar a parte mecânica e iniciar os testes. Ele ressalta que, por ser um dispositivo de baixo custo e idealizado para ser o mais simples possível, o acionamento da impressora é puramente mecânico, não exigindo sensores e componentes mais caros. Agora, para ser produzida, é necessário alunos que queiram se envolver no projeto, que já possui o material para ser fabricado e até patente em estágio de protótipo, conseguida com o auxílio da Agência USP de Inovação (Auspin).

Netto ressalta a importância de projetos como esse, pensados para atender e fornecer algum retorno à sociedade: “Não adianta querermos fazer projetos muito avançados, rebuscados e muitas vezes muito caros se a sociedade não vai conseguir se beneficiar disso e ter acesso ao que é produzido. A gente tenta sempre adequar o projeto de acordo com a realidade da sociedade brasileira, que é nosso público alvo e o motivo de a gente fazer pesquisa e de tentar produzir algo para melhorar a condição de vida das pessoas.”

Mais informações: e-mail silveira@sc.usp.br, com Zilda de Castro Silveira

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